A Arte da Cibercultura tem como hábitat natural o mundo virtual, o ciberespaço. Não é preciso plataformas, suportes. Páginas, telas, CDs, madeira, mármore, etc, essas são coisas das formas de artes usuais. A obra de arte da cibercultura não é finita, não pode ser contida numa moldura, nem ser gravada em um CD, nem terminar na última página de um livro. Ela é aberta, livre, convida o espectador a ser também co-autor. Diferente das artes do “mundo real”, não é o seu autor que lhe dá um sentido, pelo contrário, o sentido só se constrói na medida em que ela sofre a intervenção de quem a aprecia.
Artes Visuais, literatura e música são as formas de arte que ganham novas formas, novas definições e conceituação no ciberespaço. Colagens, recortes, releituras, “samples”, essas são os novos modos de fruição. Ao observador não basta só apreciar, tem que intervir, buscar o seu sentido e mostrar esse sentido apreendido na própria obra, transformando-a em algo novo. A figura do autor, do “dono da obra fica reduzida a um segundo plano. Pouco importa quem produziu e sim como ela vai ser reinterpretada. Como nas culturas de tradição oral, onde histórias imemoriais ganhavam novas versões cada vez que eram contadas e as origens de tais histórias eram ignoradas (não necessariamente ignoradas, mas irrelevante), assim é na cibercultura, é o moderno se encontrando com o ancestral.
Por estar situada no mundo virtual, na web, a disposição de todos e sujeita a intervenção de quem quiser em qualquer parte do mundo, outra característica da arte da cibercultura é o seu caráter Universal. Não um Universal homogeneizante, mas um universal sem totalidade, repartido, onde cada cultura reinterpreta uma outra e se reinventa ao mesmo tempo, num ciclo de retro-alimentação que não tem fim e assim nas calhas de roda, gira a entreter a razão esse comboio de corda chamado Cibercultura.

Lembrando um pouco do que diz André Lemos, a cibercultura "nasce" das relações entre os indivíduos e o Ciberespaço. Quando trazemos isso p/ o mundo das artes, onde há a utilização de meios eletrônicos por parte dos artistas, uma interação constante e possibilidades de releitura ou formação coletiva, podemos afirmar que estamos tratando de "Ciber-arte". Que por sinal, está cada vez mais dissiminada e presente nos mais diversos públicos.
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