domingo, 24 de julho de 2011

A era da conexão




Atualmente, a internet tornou-se uma “máquina” de troca de informações e redes de contato em tempo integral. Com a onda crescente do uso dos laptops, smartphones, tablets e todos os aparelhos móveis/portáteis que utilizam conexão sem fio, como 3G e “Wi-Fi”, a cibercultura ficou ainda mais presente na vida da sociedade contemporânea, que vive hoje o que André Lemos¹ chama de “a era da conexão”. Essa era é representada pela computação móvel e trouxe aos usuários uma conexão permanente à rede, permitindo, mesmo aos mais leigos, a utilização a qualquer momento e em qualquer lugar de um sistema de computação, mesmo que não se perceba.

Segundo Lemos (2002), a cibercultura na época atual desenvolveu-se de forma onipresente, onde o indivíduo passa a ser envolvido pela rede numa conexão generalizada. O desenvolvimento da computação móvel e das tecnologias nômades marca a fase da “computação ubíqua (3G, Wi-Fi), senciente (RFID5, bluetooth) e pervasiva”. Ou seja, disseminada e com a possibilidade de estar em vários lugares ao mesmo tempo de forma integral.

As práticas contemporâneas ligadas às tecnologias da cibercultura têm configurado a cultura contemporânea como uma cultura da mobilidade. “A mobilidade é vista como a principal característica das tecnologias digitais... Os anúncios apresentam as tecnologias móveis como capazes de transcender as ‘limitações’ geográficas e de distância, incluindo as diferenças geográficas nos locais de trabalho e demais atividades” (Lemos 2002, p.296). Com isso, pode-se afirmar que a era da conexão pode ser entendida como a era da mobilidade. Um símbolo dessa era da conexão da nova fase da cibercultura é o celular, ou como diria Lemos, do “teletudo”. O celular é hoje o que Rheingol (2002), chama de “um controle remoto para diversas formas de ação do quotidiano”. Assim como as formas de conexão Wi-Fi à internet o celular possibilita um contato social permanente, localizar pessoas e reduzir distâncias. A era da conexão relaciona assim tecnologia digital, comunicação, massa, multidão, mobilidade e conexão (Lemos).

Outro ponto interessante sobre a cibercultura abordado por Lemos e baseado na visão de outros estudiosos desta área, é a reflexão de que as formas ágeis de trocas de informações, não necessariamente podem caracterizar um processo de comunicação. Diante de visões como, por exemplo, as de Habermas (1978) e de Heidegger (1964), que afirmam que “a ação comunicativa só se dá entre indivíduos que estão engajados em um processo comum onde, pela razão, serão possíveis, argumentações e contra-argumentações, buscando o consenso”, Lemos chega a conclusão que “a disseminação de instrumentos de informação não necessariamente melhoram a performance comunicativa” assim como “não há determinismo técnico nesse sentido, e o controle sobre o quotidiano, tendo o celular como um controle remoto da vida, por exemplo, não garante a construção de uma sociedade da comunicação aberta, melhor ou em direção ao entendimento... A era da conexão não é necessariamente uma era da ‘comunicação’”.

Porém, ainda que não se possa afirmar que a era da conexão corresponde ao processo clássico de comunicação, o que não se pode negar é que esta era esta fazendo emergir novas culturas (ciber), com novas formas de consumo de informação, interatividade, novas práticas de sociabilidade e ampliação dos espaços de conexão.

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