domingo, 24 de julho de 2011

A nova era do Saber



Quando pensamos em educação e principalmente no modelo ou metodologias utilizadas atualmente no processo de formação/ educação dos indivíduos é inevitável que a discussão enverede pelas questões que envolvam as novas tecnologias.
Pierre Lévy, ainda no final do século XX, sinaliza que para fazer qualquer reflexão em torno do futuro do sistema de educação é importante antes uma análise da relação com o saber.
 Em função desta análise Lévy desmembra algumas constatações: A primeira indica a velocidade do surgimento e renovação dos saberes, tornando os conhecimentos e competências de um profissional, a exemplo, em pouco tempo obsoletas. A segunda constatação esta ainda ligada a primeira ilustra a nova natureza do trabalho, cada vez mais trabalhar significa aprender, transmitir e produzir conhecimento. A terceira em sequencia aponta o ciberespaço como um “grande cesto” que abriga tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas, tais como: memória, imaginação, percepção e raciocínio.
Com essas tecnologias intelectuais, sobretudo memórias dinâmicas a possibilidade de compartilhamento entre indivíduos de toda parte aumenta o potencial de inteligência coletiva de grupos humanos.
Esses saberes mudam profundamente os dados do problema da educação e da formação. O aprendizado não deve ser planejado e definido antecipadamente, considerando a singularidade dos indivíduos, devemos optar por espaços de conhecimentos emergentes, abertos, contínuos, em fluxos lineares se organizando de acordo com os objetivos ou os contextos nos quais cada um ocupa uma posição singular e evolutiva.
Lévy prevê duas grandes reformas necessárias nos sistemas de educação e formação. A primeira diz respeito à aclimatação dos dispositivos e do espírito do EAD (Ensino Aberto e a distancia) ao cotidiano e ao dia-a-dia da educação. A EAD explora certas técnicas de ensino a distancia incluindo dentre os elementos dessa técnica todas as tecnologias intelectuais da cibercultura. No entanto, o essencial está num novo estilo de pedagogia que favorece ao mesmo tempo as aprendizagens personalizadas e a aprendizagem coletiva em rede.  O professor se apresenta nesse contexto com o papel não mais de um fornecedor de conhecimento, mas sim de um animador da inteligência coletiva.
A segunda reforma tem haver com o reconhecimento das experiências adquiridas. As escolas passam a não ser mais consideradas como único espaço de aprendizagem e transição de conhecimento. O sistema público de ensino pode assumir, neste sentido, o papel de garantir a valorização e reconhecimento dos diversos saberes incluindo naturalmente o conhecimento não acadêmico.
A Formação/educação ao que se pode compreender da abordagem apresentada por Lévy tem se tornado cada vez mais uma troca feita de maneira amplificada já que a cibercultura permite-nos conectar com pessoas de todas as partes do mundo e todos os espaços tornaram –se espaços de educação e aprendizagem. Por outro lado cada um é considerado responsável pela sua formação, o conhecimento é uma construção das varias informações possíveis de serem acessadas. Não existem mais respostas prontas.   

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