Artigo interessante sobre a produção cinematográfica MATRIX e suas considerações acerca do "real versus o virtual"....
Espaço para discussão acerca das novas formas de comunicação, comportamentos em rede, novas tecnologias e a diversidade imperante no espaço virtual que delineiam um comportamento caracterizado como Cibercultural.
domingo, 24 de julho de 2011
Reflexões sobre Matrix...
Artigo interessante sobre a produção cinematográfica MATRIX e suas considerações acerca do "real versus o virtual"....
Para descontrair: E-mail como parte das nossas Vidas... E MORTE!
Um casal decide passar férias numa praia do Caribe, no mesmo hotel onde passaram a lua de mel a 20 anos atrás.
Por problemas de trabalho, a mulher não pode viajar com seu marido, deixando para ir uns dias depois.
Quando o homem chegou e foi para seu quarto do hotel, viu que havia um computador com acesso a internet, então decidiu enviar um e-mail a sua mulher, mas errou uma letra sem se dar conta e o enviou a outro endereço...
O e-mail foi recebido por uma viúva que acabara de chegar do enterro do seu marido e que ao conferir seus e-mails desmaiou instantaneamente.
O filho ao entrar na casa, encontrou sua mãe desmaiada, perto do computador, que na tela poderia se ler:
- Querida esposa: Cheguei bem. Provavelmente se surpreenda em receber noticias minhas por e-mail, mas agora tem computador aqui e pode enviar mensagens à pessoas queridas. Acabo de chegar e já me certifiquei que já está tudo preparado para você chegar na sexta que vem. Tenho muita vontade de te ver e espero que sua viagem seja tão tranquila como está sendo a minha.
OBS: Não traga muita roupa, porque aqui faz um calor infernal!!!!
Uai ai quente anderstendi? Será o fim dos tempos?!?
What the f#$@ is happening with the World?! Estamos falamos a mesma língua ou esta coisa toda de internet nos transformou em ávidos consumidores de termos mal falados? Sem inglês não há espaço para os demais "mortais"? O mundo será um só e todos nós falaremos o mesmo idioma algum dia? Será a reprodução da Torre de Babel? CALMA! As coisas não são bem por aí...
Estudar cibercultura e as nuances que envolvem o comportamento em rede estão intimamente ligadas ao social a maneira com que as pessoas conectam-se e se auto-representam diante do outro. É inegável a presença massiva do inglês como idioma "oficial" da rede e a adoção cada vez mais constante de estrangeirismos graças ao advento virtual, entretanto a livre representação do "eu" não se perde em fatores econômico-sociais e a democracia da rede não se limita ao domínio de outros idiomas. Cada vez melhor representados, grupos diversos encontram-se em rede e partilham singularidades que os unem e proliferam informações entre grupos cada vez mais segmentados. Como canal aberto, a internet demostra possibilidades-mil de representação e fala onde rede sociais, blogs, sites e outras plataformas de conecção pautam calorosas discussões sobre o local e o global e a reverberação dos fatos não dependem exclusivamente do idioma da mensagem.
Os milhares de seres humanos espalhados pelo mundo dividem em causas e desejos, determinam nichos de mercado e expandem suas vontades quando abordam seus devaneios em entendimento universal. Educar para decodificar o espaço virtual e explorar suas possibilidades de expressão são muito mais fáceis porém mais comprometedoras do que assumir o idioma como culpado pelo processo de exclusão digital. Será mesmo o fim dos tempos ou precisamos "redesigniar" nossas formas de compreensão? Bom, pelo menos até 2012 será apenas uma questão de tempo...
O movimento social cibercultura
A cibercultura pode ser considerada um movimento social partindo da estrutura pela qual foi criada e se estruturou. O surgimento do ciberespaço se dá a partir da necessidade da comunicação de duas mãos e da construção e apropriação de uma inteligência coletiva. Assim o ciberespaço se utiliza de uma infra-estrutura de telecomunicação já existente para “estabelecer um tipo particular de relação entre as pessoas”.
Um movimento social ocorrido no final dos anos 70, na California, deu inicio a luta pelo barateamento dos computadores e pela disseminação da informática pessoal. A partir daí outros movimentos foram surgindo e no final dos anos 80, jovens metropolitanos cultos iniciam uma luta pelo crescimento da comunicação baseada na informática. Esses jovens construíram um espaço de encontro e compartilhamento de idéias. O ciberespaço foi crescendo com a colaboração, em sua maioria, de anônimos que se dedicaram a aprimorar as ferramentas utilizadas para se estabelecer a comunicação. Para Pierre Lévy esse movimento social deu “verdadeiro” uso para as redes telefônicas e para o computador pessoal.
O crescimento do ciberespaço foi orientado por três princípios básicos, que são a interconexão, a criação de comunidades virtuais e a inteligência coletiva. O principio da interconexão diz que todo individuo pode está conectado através de um endereço na internet. As comunidades virtuais agrupam as pessoas no ciberespaço através de afinidades, interesses e experiências, independente da sua localização geográfica. As comunidades virtuais têm suas próprias regras estabelecidas por gerentes que “fiscalizam” todo o conteúdo postado pelos integrantes, a fim de evitar repetição nos fóruns e insultos entre os membros. É importante dizer que essa relação estabelecida entre as pessoas dentro das comunidades virtuais não substituem os encontros físicos. O principio da inteligência coletiva consiste na colocação dos saberes, conhecimentos e experiências dentro do ciberespaço para que as outras pessoas tenham acesso a essas informações.
Por fim, o movimento social da cibercultura incentiva principalmente a utilização da comunicação coletiva, interativa e não um conteúdo particular. E os três princípios da cibercultura é o que constitui as condições necessárias para a sua existência.
A nova era do Saber
Quando pensamos em educação e principalmente no modelo ou metodologias utilizadas atualmente no processo de formação/ educação dos indivíduos é inevitável que a discussão enverede pelas questões que envolvam as novas tecnologias.
Pierre Lévy, ainda no final do século XX, sinaliza que para fazer qualquer reflexão em torno do futuro do sistema de educação é importante antes uma análise da relação com o saber.
Em função desta análise Lévy desmembra algumas constatações: A primeira indica a velocidade do surgimento e renovação dos saberes, tornando os conhecimentos e competências de um profissional, a exemplo, em pouco tempo obsoletas. A segunda constatação esta ainda ligada a primeira ilustra a nova natureza do trabalho, cada vez mais trabalhar significa aprender, transmitir e produzir conhecimento. A terceira em sequencia aponta o ciberespaço como um “grande cesto” que abriga tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas, tais como: memória, imaginação, percepção e raciocínio.
Com essas tecnologias intelectuais, sobretudo memórias dinâmicas a possibilidade de compartilhamento entre indivíduos de toda parte aumenta o potencial de inteligência coletiva de grupos humanos.
Esses saberes mudam profundamente os dados do problema da educação e da formação. O aprendizado não deve ser planejado e definido antecipadamente, considerando a singularidade dos indivíduos, devemos optar por espaços de conhecimentos emergentes, abertos, contínuos, em fluxos lineares se organizando de acordo com os objetivos ou os contextos nos quais cada um ocupa uma posição singular e evolutiva.
Lévy prevê duas grandes reformas necessárias nos sistemas de educação e formação. A primeira diz respeito à aclimatação dos dispositivos e do espírito do EAD (Ensino Aberto e a distancia) ao cotidiano e ao dia-a-dia da educação. A EAD explora certas técnicas de ensino a distancia incluindo dentre os elementos dessa técnica todas as tecnologias intelectuais da cibercultura. No entanto, o essencial está num novo estilo de pedagogia que favorece ao mesmo tempo as aprendizagens personalizadas e a aprendizagem coletiva em rede. O professor se apresenta nesse contexto com o papel não mais de um fornecedor de conhecimento, mas sim de um animador da inteligência coletiva.
A segunda reforma tem haver com o reconhecimento das experiências adquiridas. As escolas passam a não ser mais consideradas como único espaço de aprendizagem e transição de conhecimento. O sistema público de ensino pode assumir, neste sentido, o papel de garantir a valorização e reconhecimento dos diversos saberes incluindo naturalmente o conhecimento não acadêmico.
A Formação/educação ao que se pode compreender da abordagem apresentada por Lévy tem se tornado cada vez mais uma troca feita de maneira amplificada já que a cibercultura permite-nos conectar com pessoas de todas as partes do mundo e todos os espaços tornaram –se espaços de educação e aprendizagem. Por outro lado cada um é considerado responsável pela sua formação, o conhecimento é uma construção das varias informações possíveis de serem acessadas. Não existem mais respostas prontas.
A arte na Cibercultura
A Arte da Cibercultura tem como hábitat natural o mundo virtual, o ciberespaço. Não é preciso plataformas, suportes. Páginas, telas, CDs, madeira, mármore, etc, essas são coisas das formas de artes usuais. A obra de arte da cibercultura não é finita, não pode ser contida numa moldura, nem ser gravada em um CD, nem terminar na última página de um livro. Ela é aberta, livre, convida o espectador a ser também co-autor. Diferente das artes do “mundo real”, não é o seu autor que lhe dá um sentido, pelo contrário, o sentido só se constrói na medida em que ela sofre a intervenção de quem a aprecia.
Artes Visuais, literatura e música são as formas de arte que ganham novas formas, novas definições e conceituação no ciberespaço. Colagens, recortes, releituras, “samples”, essas são os novos modos de fruição. Ao observador não basta só apreciar, tem que intervir, buscar o seu sentido e mostrar esse sentido apreendido na própria obra, transformando-a em algo novo. A figura do autor, do “dono da obra fica reduzida a um segundo plano. Pouco importa quem produziu e sim como ela vai ser reinterpretada. Como nas culturas de tradição oral, onde histórias imemoriais ganhavam novas versões cada vez que eram contadas e as origens de tais histórias eram ignoradas (não necessariamente ignoradas, mas irrelevante), assim é na cibercultura, é o moderno se encontrando com o ancestral.
Por estar situada no mundo virtual, na web, a disposição de todos e sujeita a intervenção de quem quiser em qualquer parte do mundo, outra característica da arte da cibercultura é o seu caráter Universal. Não um Universal homogeneizante, mas um universal sem totalidade, repartido, onde cada cultura reinterpreta uma outra e se reinventa ao mesmo tempo, num ciclo de retro-alimentação que não tem fim e assim nas calhas de roda, gira a entreter a razão esse comboio de corda chamado Cibercultura.
A era da conexão
Atualmente, a internet tornou-se uma “máquina” de troca de informações e redes de contato em tempo integral. Com a onda crescente do uso dos laptops, smartphones, tablets e todos os aparelhos móveis/portáteis que utilizam conexão sem fio, como 3G e “Wi-Fi”, a cibercultura ficou ainda mais presente na vida da sociedade contemporânea, que vive hoje o que André Lemos¹ chama de “a era da conexão”. Essa era é representada pela computação móvel e trouxe aos usuários uma conexão permanente à rede, permitindo, mesmo aos mais leigos, a utilização a qualquer momento e em qualquer lugar de um sistema de computação, mesmo que não se perceba.
Segundo Lemos (2002), a cibercultura na época atual desenvolveu-se de forma onipresente, onde o indivíduo passa a ser envolvido pela rede numa conexão generalizada. O desenvolvimento da computação móvel e das tecnologias nômades marca a fase da “computação ubíqua (3G, Wi-Fi), senciente (RFID5, bluetooth) e pervasiva”. Ou seja, disseminada e com a possibilidade de estar em vários lugares ao mesmo tempo de forma integral.
As práticas contemporâneas ligadas às tecnologias da cibercultura têm configurado a cultura contemporânea como uma cultura da mobilidade. “A mobilidade é vista como a principal característica das tecnologias digitais... Os anúncios apresentam as tecnologias móveis como capazes de transcender as ‘limitações’ geográficas e de distância, incluindo as diferenças geográficas nos locais de trabalho e demais atividades” (Lemos 2002, p.296). Com isso, pode-se afirmar que a era da conexão pode ser entendida como a era da mobilidade. Um símbolo dessa era da conexão da nova fase da cibercultura é o celular, ou como diria Lemos, do “teletudo”. O celular é hoje o que Rheingol (2002), chama de “um controle remoto para diversas formas de ação do quotidiano”. Assim como as formas de conexão Wi-Fi à internet o celular possibilita um contato social permanente, localizar pessoas e reduzir distâncias. A era da conexão relaciona assim tecnologia digital, comunicação, massa, multidão, mobilidade e conexão (Lemos).
Outro ponto interessante sobre a cibercultura abordado por Lemos e baseado na visão de outros estudiosos desta área, é a reflexão de que as formas ágeis de trocas de informações, não necessariamente podem caracterizar um processo de comunicação. Diante de visões como, por exemplo, as de Habermas (1978) e de Heidegger (1964), que afirmam que “a ação comunicativa só se dá entre indivíduos que estão engajados em um processo comum onde, pela razão, serão possíveis, argumentações e contra-argumentações, buscando o consenso”, Lemos chega a conclusão que “a disseminação de instrumentos de informação não necessariamente melhoram a performance comunicativa” assim como “não há determinismo técnico nesse sentido, e o controle sobre o quotidiano, tendo o celular como um controle remoto da vida, por exemplo, não garante a construção de uma sociedade da comunicação aberta, melhor ou em direção ao entendimento... A era da conexão não é necessariamente uma era da ‘comunicação’”.
Porém, ainda que não se possa afirmar que a era da conexão corresponde ao processo clássico de comunicação, o que não se pode negar é que esta era esta fazendo emergir novas culturas (ciber), com novas formas de consumo de informação, interatividade, novas práticas de sociabilidade e ampliação dos espaços de conexão.
O que é Cibercultura?
É a cultura da leitura e da escrita de forma mais ampla, ou seja, é uma forma sociocultural que surge basicamente das relações entre as novas tecnologias, a informação, a cultura e a sociabilidade como um veículo de integração entre os indivíduos. Essa interação é constituídora de culturas que, se formam e se conservam, mas enquanto se conservam, se transformam, dessa forma, podemos afirmar que: a cultura não apenas parte do conhecimento, como muitos pensam, mas sim, a força de produção do conhecimento.
Através da cibercultura, o indivíduo pode ampliar a sua leitura, expondo seu ponto de vista e contribuindo para a liberação das informações na sociedade como um todo. Por ter surgido na sociedade pós-moderna, a cibercultura é fortemente marcada pelas tecnologias digitais, dessa forma está presente na vida cotidiana de cada indivíduo.
Podemos afirmar então, que o termo cibercultura abrange os fenômenos associados às formas de comunicação mediadas por meio de computadores. Tal fato resulta na criação do ciberespaço, em que as práticas nos autorizam a perguntar sobre como é possível produzir sistemas e processos coletivos de conhecimento – inteligência coletiva, como propõe Pierre Lévy.
Os ciberespaços são enriquecedores por contribuírem para a formação do indivíduo e da sociedade, pois se cada um de nós, passarmos a expor o nosso ponto de vista, com certeza o conhecimento seria compartilhado e expandido com maior facilidade e rapidez.
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